Protecionismo comercial é atraso de vida e “complexo de vira-lata”, diz Jorge Viana

O Brasil é uma potência comercial que assusta seus vizinhos e não pode ter medo de uma eventual alta no fluxo de produtos europeus por conta da assinatura do acordo Mercosul-UE, afirmou ao InfoMoney Entrevista Jorge Viana, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Para Viana, que já foi prefeito de Rio Branco, governador do Acre e senador da República, o excesso de proteção pode ser denominado como “complexo de vira-lata” [expressão criada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues para um sentimento de inferioridade do brasileiro]. “Isso atrasa um país. Uma coisa é você proteger a soberania do país, é você proteger com justiça os que produzem, mas você quando exagera nisso é um atraso de vida que depois não tem como recuperar”, explicou.

Leia também: Tensão permanente de Trump com UE ajuda acordo Mercosul-UE, diz presidente da Apex

Viana classificou o Brasil em termos comerciais como um gigante, que hoje assusta seus vizinhos. E justificou isso com número como os cerca de US$ 350 bilhões de reservas, fruto do saldo acumulado da balança comercial. “Todo ano, nós quebramos recorde, temos saldo de acima de 60 bilhões de dólares”, disse.

“Um país desse vai ter medo de enfrentar qualquer um? O fluxo de comércio nosso com Vietnã hoje é maior do que com a França. O mundo mudou (…) Não tem que ter medo, nem da Europa”, completou. Ele também citou a corrente de comércio crescente com a Indonésia, que caminha para ser a quarta economia do mundo. “Se você não lê um pouco esse cenário, vai ficar com o farol virado para trás e o atraso vai vir”, alertou.

Sobre o fato de a França se opor à assinatura do acordo, Viana disse que dá para compreender e respeitar alguns movimentos do parceiro comercial, mas repetiu que eles não são corretos. “Nossa agricultura não vai competir com a agricultura deles, que tem um custo muito elevado. É um país temperado? O nosso é um país tropical. A gente tem uma modelagem de ter escala, tem empresas enormes aqui no Brasil. Na Europa não tem isso. É tudo pequena produção”, comparou.

Leia também: Japão, Indonésia e Coreia do Sul podem ser novos destinos para carne, diz Apex

Para Viana, transformar essas diferenças num impedimento de um acordo que é muito mais amplo, que traz muito mais vantagem, não tem muito sentido. “A Europa vai ganhar muito com isso, porque ela vai sair de um certo isolamento. A Europa tem perdido importância desde o fim da Segunda Guerra para cá, quase que exponencial. Na hora que juntarmos aí esse bloco econômico, eu acho que vai ser muito bom para eles também”, defendeu. “Comércio tem que ter pragmatismo. E o presidente Lula é pragmático nesse sentido”, afirmou.

Ele acrescentou que o mundo está mudando, vivendo uma crise demográfica de envelhecimento da população, uma crise climática que ameaça a vida no planeta e uma transição energética que requer outra base de geração de energia. “E nós aqui, o Brasil, o Cone Sul, tem muito a colaborar com o mundo velho que é a Europa num acordo comercial como esse”.

Sobre conselhos para o empresário brasileiro que deseja começar a abrir fronteiras para seu produtos e serviços, Viana sugeriu coragem e ousadia. “As grandes corporações hoje, que vendem para o mundo inteiro, começaram com uma ideia, começaram com a perseverança de alguém”, declarou.

Leia também: Quais países mais investiram no Brasil? Veja evolução ao longo de 10 anos

O presidente da Apex citou um caso recente, de uma empreendedora de São Paulo que foi recentemente premiada pela Agência. Na pandemia, ela resolveu fazer embalagens para guardanapo. Hoje, ela exporta até para os Estados Unidos.

Entre os programas da Apex para auxiliar nessa jornada, Viana citou o Qualifica Exportação, que já atendeu mais de 20.000 empresas. “A gente faz uma mentoria, faz um trabalho com essa empresa para certificá-la, e com a qualificação de ser exportadora. Só em São Paulo, são 2.640 empresas que nós estamos qualificando em mais de nove polos no interior. Mas nós estamos no os 27 estados da Federação. É uma maneira de ajudar as empresas a exportar mais”, disse.

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O Brasil é uma potência comercial que assusta seus vizinhos e não pode ter medo de uma eventual alta no fluxo de produtos europeus por conta da assinatura do acordo Mercosul-UE, afirmou ao InfoMoney Entrevista Jorge Viana, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Para Viana, que já foi prefeito de Rio Branco, governador do Acre e senador da República, o excesso de proteção pode ser denominado como “complexo de vira-lata” [expressão criada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues para um sentimento de inferioridade do brasileiro]. “Isso atrasa um país. Uma coisa é você proteger a soberania do país, é você proteger com justiça os que produzem, mas você quando exagera nisso é um atraso de vida que depois não tem como recuperar”, explicou.

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Viana classificou o Brasil em termos comerciais como um gigante, que hoje assusta seus vizinhos. E justificou isso com número como os cerca de US$ 350 bilhões de reservas, fruto do saldo acumulado da balança comercial. “Todo ano, nós quebramos recorde, temos saldo de acima de 60 bilhões de dólares”, disse.

“Um país desse vai ter medo de enfrentar qualquer um? O fluxo de comércio nosso com Vietnã hoje é maior do que com a França. O mundo mudou (…) Não tem que ter medo, nem da Europa”, completou. Ele também citou a corrente de comércio crescente com a Indonésia, que caminha para ser a quarta economia do mundo. “Se você não lê um pouco esse cenário, vai ficar com o farol virado para trás e o atraso vai vir”, alertou.

Sobre o fato de a França se opor à assinatura do acordo, Viana disse que dá para compreender e respeitar alguns movimentos do parceiro comercial, mas repetiu que eles não são corretos. “Nossa agricultura não vai competir com a agricultura deles, que tem um custo muito elevado. É um país temperado? O nosso é um país tropical. A gente tem uma modelagem de ter escala, tem empresas enormes aqui no Brasil. Na Europa não tem isso. É tudo pequena produção”, comparou.

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Para Viana, transformar essas diferenças num impedimento de um acordo que é muito mais amplo, que traz muito mais vantagem, não tem muito sentido. “A Europa vai ganhar muito com isso, porque ela vai sair de um certo isolamento. A Europa tem perdido importância desde o fim da Segunda Guerra para cá, quase que exponencial. Na hora que juntarmos aí esse bloco econômico, eu acho que vai ser muito bom para eles também”, defendeu. “Comércio tem que ter pragmatismo. E o presidente Lula é pragmático nesse sentido”, afirmou.

Ele acrescentou que o mundo está mudando, vivendo uma crise demográfica de envelhecimento da população, uma crise climática que ameaça a vida no planeta e uma transição energética que requer outra base de geração de energia. “E nós aqui, o Brasil, o Cone Sul, tem muito a colaborar com o mundo velho que é a Europa num acordo comercial como esse”.

Sobre conselhos para o empresário brasileiro que deseja começar a abrir fronteiras para seu produtos e serviços, Viana sugeriu coragem e ousadia. “As grandes corporações hoje, que vendem para o mundo inteiro, começaram com uma ideia, começaram com a perseverança de alguém”, declarou.

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O presidente da Apex citou um caso recente, de uma empreendedora de São Paulo que foi recentemente premiada pela Agência. Na pandemia, ela resolveu fazer embalagens para guardanapo. Hoje, ela exporta até para os Estados Unidos.

Entre os programas da Apex para auxiliar nessa jornada, Viana citou o Qualifica Exportação, que já atendeu mais de 20.000 empresas. “A gente faz uma mentoria, faz um trabalho com essa empresa para certificá-la, e com a qualificação de ser exportadora. Só em São Paulo, são 2.640 empresas que nós estamos qualificando em mais de nove polos no interior. Mas nós estamos no os 27 estados da Federação. É uma maneira de ajudar as empresas a exportar mais”, disse.

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