Mercado de ações da América Latina tem início de ano mais forte desde 1991

(Bloomberg) — Investidores globais estão entrando em ações da América Latina no ritmo mais rápido em uma década, levando os mercados da região a máximas de vários anos. Os mercados acionários de Brasil, Colômbia e México registraram uma onda de compras estrangeiras, ajudando a impulsionar o índice MSCI EM Latin America a uma máxima de onze anos e a uma alta de mais de 20% em 2026. Esse é o início de ano mais forte desde 1991.

Esse renovado apetite mostra como os investidores estão recalibrando suas apostas em uma região há muito tempo negligenciada, às vésperas das eleições presidenciais no Brasil e na Colômbia, onde operadores veem potencial para mudanças na política local e juros mais baixos.

O rali ganhou novo fôlego na sexta-feira (20), depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou as amplas tarifas globais do presidente Trump, o que, segundo investidores, é mais um vento a favor para a recuperação das bolsas na região.

Leia também: Ibovespa sobe e fecha acima dos 190 mil pela primeira vez, no embalo do exterior

“A América Latina voltou ao mapa, e as pessoas estão prestando atenção à região em um ritmo que não víamos há 10 a 15 anos”, disse Alejo Czerwonko, diretor de investimentos para emergentes nas Américas do UBS Global Wealth Management. “Os mercados emergentes têm estado subalocados por um longo período, e essa conclusão vale em dose dupla para a América Latina.”

Embora os mercados emergentes estejam se beneficiando de um movimento mais amplo de diversificação de investidores para fora dos ativos dos EUA, os fluxos para a América Latina se destacam. A rotação tende a ganhar impulso no curto prazo, já que a derrubada das tarifas de Trump aumenta a pressão sobre os riscos fiscais e a incerteza política nos EUA, pressionando ainda mais o dólar e impulsionando os ativos latino-americanos, disse Malcolm Dorson, gestor sênior de portfólio na Global X Management Co.

Sinais nos ETFs

A onda de compras aparece nos ETFs listados nos EUA, que os investidores usam para ganhar exposição rápida a mercados estrangeiros. Os ativos do iShares Latin America 40 ETF da BlackRock, conhecido pelo ticker ILF, receberam mais de US$ 1 bilhão apenas em janeiro — um recorde — ajudando a elevar o patrimônio total do fundo para cerca de US$ 4,3 bilhões.

O iShares MSCI Brazil ETF, ou EWZ, o maior fundo listado nos EUA que acompanha ações brasileiras, registrou em janeiro o maior fluxo mensal em mais de uma década, consolidando-se como a ferramenta preferida para ganhar exposição ao maior mercado da região. Até mesmo o Family Office Duquesne, do bilionário Stanley Druckenmiller, esteve entre os que entraram no movimento, adicionando ações do EWZ pouco antes da alta de 17% do ETF em janeiro.

Leia também: Fluxo estrangeiro na B3 soma R$ 26,3 bi em janeiro e já supera todo o valor de 2025

Olho na eleição

Parte dessa aposta no Brasil está baseada no potencial de que a eleição de outubro resulte em uma mudança política que leve à derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Não sabemos quem vai ganhar, mas se a oposição vencer há mais a ganhar do que a perder em relação à permanência do Lula”, disse Thierry Larose, gestor de portfólio na Vontobel.

Ainda assim, não é uma aposta simples. O surgimento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, como candidato no fim do ano passado desencadeou uma onda de vendas, já que sua candidatura minou as esperanças de que o preferido do mercado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se lançasse na disputa.

Outros investidores estão aguardando abril — prazo em que ocupantes de cargos públicos devem renunciar para concorrer à Presidência — antes de fazer apostas maiores na eleição.

Colômbia e México

Na Colômbia, divisões entre candidatos de centro e de direita estão embaralhando as expectativas para a eleição presidencial de maio, enquanto o principal candidato de esquerda lidera as pesquisas.

“Será um alívio se a direita ganhar, mas se a esquerda vencer eu não descartaria uma deterioração acentuada nos preços dos ativos”, disse Larose.

Embora o México não enfrente eleição presidencial este ano, o país ainda lida com incertezas relacionadas à revisão de seu acordo comercial com Estados Unidos e Canadá.

Locais mais cautelosos

Estrangeiros também estão cada vez mais deixando de lado os ETFs e comprando diretamente nos mercados locais. Em janeiro, as compras estrangeiras foram as maiores em pelo menos quatro anos nos mercados de Brasil, México e Colômbia, segundo dados de reguladores e analistas.

Essa farra de compras, no entanto, contrasta diretamente com o comportamento dos investidores locais, mais cautelosos com a incerteza política.

“Em geral, investidores locais se preocupam mais com política do que os estrangeiros”, disse o chefe de estratégia para a América Latina da BlackRock, Benjamin Souza. Isso não quer dizer que investidores estrangeiros nunca se assustem com turbulências políticas, mas “no fim do dia, o mercado vai tomar a decisão racional sobre onde estão os retornos potenciais”.

Reduções de juros

Além da política, investidores enxergam espaço para que bancos centrais em alguns países comecem a reduzir juros, o que daria ainda mais suporte ao rali.

Os operadores também esperam que o Banco Central do Brasil reduza a taxa básica Selic, hoje em 15% — o maior patamar em quase duas décadas — a partir de março. No México, o Banxico, como é conhecido o banco central, manteve sua taxa básica inalterada em 7% em decisão unânime em 5 de fevereiro, interrompendo um ciclo de cortes iniciado há quase dois anos.

“Seja por cortes de juros em alguns países, mudanças políticas favoráveis ou ventos positivos de commodities, seguimos com uma visão positiva para a região”, disse Ola El‑Shawarby, gestora de portfólio na VanEck, que está com posição acima da média (overweight) na América Latina.

©2026 Bloomberg L.P

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(Bloomberg) — Investidores globais estão entrando em ações da América Latina no ritmo mais rápido em uma década, levando os mercados da região a máximas de vários anos. Os mercados acionários de Brasil, Colômbia e México registraram uma onda de compras estrangeiras, ajudando a impulsionar o índice MSCI EM Latin America a uma máxima de onze anos e a uma alta de mais de 20% em 2026. Esse é o início de ano mais forte desde 1991.

Esse renovado apetite mostra como os investidores estão recalibrando suas apostas em uma região há muito tempo negligenciada, às vésperas das eleições presidenciais no Brasil e na Colômbia, onde operadores veem potencial para mudanças na política local e juros mais baixos.

O rali ganhou novo fôlego na sexta-feira (20), depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou as amplas tarifas globais do presidente Trump, o que, segundo investidores, é mais um vento a favor para a recuperação das bolsas na região.

Leia também: Ibovespa sobe e fecha acima dos 190 mil pela primeira vez, no embalo do exterior

“A América Latina voltou ao mapa, e as pessoas estão prestando atenção à região em um ritmo que não víamos há 10 a 15 anos”, disse Alejo Czerwonko, diretor de investimentos para emergentes nas Américas do UBS Global Wealth Management. “Os mercados emergentes têm estado subalocados por um longo período, e essa conclusão vale em dose dupla para a América Latina.”

Embora os mercados emergentes estejam se beneficiando de um movimento mais amplo de diversificação de investidores para fora dos ativos dos EUA, os fluxos para a América Latina se destacam. A rotação tende a ganhar impulso no curto prazo, já que a derrubada das tarifas de Trump aumenta a pressão sobre os riscos fiscais e a incerteza política nos EUA, pressionando ainda mais o dólar e impulsionando os ativos latino-americanos, disse Malcolm Dorson, gestor sênior de portfólio na Global X Management Co.

Sinais nos ETFs

A onda de compras aparece nos ETFs listados nos EUA, que os investidores usam para ganhar exposição rápida a mercados estrangeiros. Os ativos do iShares Latin America 40 ETF da BlackRock, conhecido pelo ticker ILF, receberam mais de US$ 1 bilhão apenas em janeiro — um recorde — ajudando a elevar o patrimônio total do fundo para cerca de US$ 4,3 bilhões.

O iShares MSCI Brazil ETF, ou EWZ, o maior fundo listado nos EUA que acompanha ações brasileiras, registrou em janeiro o maior fluxo mensal em mais de uma década, consolidando-se como a ferramenta preferida para ganhar exposição ao maior mercado da região. Até mesmo o Family Office Duquesne, do bilionário Stanley Druckenmiller, esteve entre os que entraram no movimento, adicionando ações do EWZ pouco antes da alta de 17% do ETF em janeiro.

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Olho na eleição

Parte dessa aposta no Brasil está baseada no potencial de que a eleição de outubro resulte em uma mudança política que leve à derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Não sabemos quem vai ganhar, mas se a oposição vencer há mais a ganhar do que a perder em relação à permanência do Lula”, disse Thierry Larose, gestor de portfólio na Vontobel.

Ainda assim, não é uma aposta simples. O surgimento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, como candidato no fim do ano passado desencadeou uma onda de vendas, já que sua candidatura minou as esperanças de que o preferido do mercado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se lançasse na disputa.

Outros investidores estão aguardando abril — prazo em que ocupantes de cargos públicos devem renunciar para concorrer à Presidência — antes de fazer apostas maiores na eleição.

Colômbia e México

Na Colômbia, divisões entre candidatos de centro e de direita estão embaralhando as expectativas para a eleição presidencial de maio, enquanto o principal candidato de esquerda lidera as pesquisas.

“Será um alívio se a direita ganhar, mas se a esquerda vencer eu não descartaria uma deterioração acentuada nos preços dos ativos”, disse Larose.

Embora o México não enfrente eleição presidencial este ano, o país ainda lida com incertezas relacionadas à revisão de seu acordo comercial com Estados Unidos e Canadá.

Locais mais cautelosos

Estrangeiros também estão cada vez mais deixando de lado os ETFs e comprando diretamente nos mercados locais. Em janeiro, as compras estrangeiras foram as maiores em pelo menos quatro anos nos mercados de Brasil, México e Colômbia, segundo dados de reguladores e analistas.

Essa farra de compras, no entanto, contrasta diretamente com o comportamento dos investidores locais, mais cautelosos com a incerteza política.

“Em geral, investidores locais se preocupam mais com política do que os estrangeiros”, disse o chefe de estratégia para a América Latina da BlackRock, Benjamin Souza. Isso não quer dizer que investidores estrangeiros nunca se assustem com turbulências políticas, mas “no fim do dia, o mercado vai tomar a decisão racional sobre onde estão os retornos potenciais”.

Reduções de juros

Além da política, investidores enxergam espaço para que bancos centrais em alguns países comecem a reduzir juros, o que daria ainda mais suporte ao rali.

Os operadores também esperam que o Banco Central do Brasil reduza a taxa básica Selic, hoje em 15% — o maior patamar em quase duas décadas — a partir de março. No México, o Banxico, como é conhecido o banco central, manteve sua taxa básica inalterada em 7% em decisão unânime em 5 de fevereiro, interrompendo um ciclo de cortes iniciado há quase dois anos.

“Seja por cortes de juros em alguns países, mudanças políticas favoráveis ou ventos positivos de commodities, seguimos com uma visão positiva para a região”, disse Ola El‑Shawarby, gestora de portfólio na VanEck, que está com posição acima da média (overweight) na América Latina.

©2026 Bloomberg L.P

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