Disciplina, responsabilidade e a queda do determinismo no trading

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No debate sobre comportamento humano, poucos elementos sabotam tanto um trader quanto a crença de que seu destino está “determinado”. Para o psicólogo existencialista Thalles Contão, essa visão é não apenas equivocada, mas profundamente destrutiva. Além disso, ao atribuir fracassos a fatores inevitáveis, o indivíduo se exime da responsabilidade pelas próprias escolhas — e repete padrões de autossabotagem.

No episódio 3 da 4ª temporada do programa Mapa Mental, no canal GainCast, Thalles reforça que essa crença funciona como uma fuga confortável, que impede o desenvolvimento da maturidade necessária para operar no mercado. “O determinismo é uma moeda tão positiva porque, quando eu encontro um determinismo, eu me desresponsabilizo”, afirma.

Como narrativas de desculpa destroem o trader

Ao longo da entrevista, Thalles cita casos clínicos e experiências profissionais que demonstram como muitas pessoas utilizam diagnósticos, rótulos e justificativas “científicas” para não assumir responsabilidades. Como consequência, essa postura se transfere diretamente para o trading, onde perdas, stops e decisões difíceis frequentemente expõem a imaturidade emocional do operador.

Segundo Thalles, a sociedade atual facilita essa postura, reforçando a ideia de que o indivíduo é vítima das circunstâncias e não autor da própria vida.

Dessa forma, esse cenário cria traders que culpam o mercado, corretoras, setups ou volatilidade — qualquer coisa, exceto suas próprias ações. “Porque se eu sou um covarde e nasci covarde, eu não tenho que ter uma atitude de coragem. Eu estou justificado porque se eu sou preguiçoso. A culpa é do vendedor de curso de trader, não é minha”, observa.

O papel da disciplina real

Contrapondo essa visão, Thalles argumenta que a disciplina não é uma virtude decorativa, mas uma consequência inevitável de escolhas responsáveis. Em sua leitura, diferente da fantasia do “talento nato”, a performance no trading exige repetição, estudo e consciência — elementos que só existem quando há maturidade. “Ser disciplinado, para mim, é uma condição inerente a ter escolhas responsáveis; não tem como fugir, a não ser que eu seja uma criança”, explica.

Essa afirmação, direta e contundente, desmonta a ideia de que consistência vem de aptidão natural ou de algum “dom” oculto. Por isso, para ele, qualquer evolução sustentável depende de assumir o protagonismo da própria trajetória — inclusive nas fases difíceis.

Liberdade adulta e responsabilidade

Ainda avançando nessa construção, Thalles destaca que liberdade não é ausência de limites, mas imposição de responsabilidade. Aceitar essa dinâmica faz parte da transição para a vida adulta, algo essencial para quem opera profissionalmente. Caso contrário, traders que rejeitam essa postura tendem a viver em ciclos de frustração, impulsividade e vitimismo emocional.

Ele reforça que a capacidade humana de superar limitações é muito maior do que supõe quem se apoia em justificativas deterministas. Para ilustrar, ele cita o contraste entre restrições naturais e conquistas extraordinárias obtidas por meio de treinamento e consciência. “O ser humano é um paradoxo. Ele é o corajoso, ele é o covarde, ele é aquilo que ele determina a ser”, conclui.

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No debate sobre comportamento humano, poucos elementos sabotam tanto um trader quanto a crença de que seu destino está “determinado”. Para o psicólogo existencialista Thalles Contão, essa visão é não apenas equivocada, mas profundamente destrutiva. Além disso, ao atribuir fracassos a fatores inevitáveis, o indivíduo se exime da responsabilidade pelas próprias escolhas — e repete padrões de autossabotagem.

No episódio 3 da 4ª temporada do programa Mapa Mental, no canal GainCast, Thalles reforça que essa crença funciona como uma fuga confortável, que impede o desenvolvimento da maturidade necessária para operar no mercado. “O determinismo é uma moeda tão positiva porque, quando eu encontro um determinismo, eu me desresponsabilizo”, afirma.

Como narrativas de desculpa destroem o trader

Ao longo da entrevista, Thalles cita casos clínicos e experiências profissionais que demonstram como muitas pessoas utilizam diagnósticos, rótulos e justificativas “científicas” para não assumir responsabilidades. Como consequência, essa postura se transfere diretamente para o trading, onde perdas, stops e decisões difíceis frequentemente expõem a imaturidade emocional do operador.

Segundo Thalles, a sociedade atual facilita essa postura, reforçando a ideia de que o indivíduo é vítima das circunstâncias e não autor da própria vida.

Dessa forma, esse cenário cria traders que culpam o mercado, corretoras, setups ou volatilidade — qualquer coisa, exceto suas próprias ações. “Porque se eu sou um covarde e nasci covarde, eu não tenho que ter uma atitude de coragem. Eu estou justificado porque se eu sou preguiçoso. A culpa é do vendedor de curso de trader, não é minha”, observa.

O papel da disciplina real

Contrapondo essa visão, Thalles argumenta que a disciplina não é uma virtude decorativa, mas uma consequência inevitável de escolhas responsáveis. Em sua leitura, diferente da fantasia do “talento nato”, a performance no trading exige repetição, estudo e consciência — elementos que só existem quando há maturidade. “Ser disciplinado, para mim, é uma condição inerente a ter escolhas responsáveis; não tem como fugir, a não ser que eu seja uma criança”, explica.

Essa afirmação, direta e contundente, desmonta a ideia de que consistência vem de aptidão natural ou de algum “dom” oculto. Por isso, para ele, qualquer evolução sustentável depende de assumir o protagonismo da própria trajetória — inclusive nas fases difíceis.

Liberdade adulta e responsabilidade

Ainda avançando nessa construção, Thalles destaca que liberdade não é ausência de limites, mas imposição de responsabilidade. Aceitar essa dinâmica faz parte da transição para a vida adulta, algo essencial para quem opera profissionalmente. Caso contrário, traders que rejeitam essa postura tendem a viver em ciclos de frustração, impulsividade e vitimismo emocional.

Ele reforça que a capacidade humana de superar limitações é muito maior do que supõe quem se apoia em justificativas deterministas. Para ilustrar, ele cita o contraste entre restrições naturais e conquistas extraordinárias obtidas por meio de treinamento e consciência. “O ser humano é um paradoxo. Ele é o corajoso, ele é o covarde, ele é aquilo que ele determina a ser”, conclui.

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