Do pregão viva voz ao day trade: lições de JP Costa e Kleber Santos

Depois de anos imersos no barulho do pregão viva voz, entre gestos, gritos e decisões em segundos, JP Costa e Kleber Santos hoje vivem um mercado completamente diferente — silencioso, digital e muito mais solitário. Ainda assim, a essência do jogo continua a mesma: leitura de mercado, gestão de risco e, sobretudo, maturidade emocional para atravessar ciclos bons e ruins no day trade.

Nesse contexto, durante o evento Profit Summit, os traders profissionais JP Costa e Kleber Santos concederam entrevista ao InfoMoney e detalharam como foi a transição do “corre” do pregão para a tela do home broker, as diferenças entre o trader amador e o profissional e a importância de respeitar o próprio tempo de evolução no mercado.

A partir dessa vivência, eles reforçam que consistência não nasce da técnica perfeita, mas da união entre método, gestão de risco e autoconhecimento.

Diferenças entre trader profissional e amador

JP Costa destaca que a distinção entre amador e profissional não está apenas no resultado financeiro, mas no estágio de desenvolvimento do próprio trader. Para ele, o amador ainda busca entender onde se encaixa, enquanto o profissional já transformou o mercado em prioridade de vida. “O amador é só o cara que está começando, ou que talvez tenha alguma outra carreira, alguma outra fonte de renda, e o trade, é a segunda fonte dele”, afirma.

Nesse sentido, o processo envolve testar caminhos, reconhecer limitações e assumir o compromisso de viver do trade. “Quando ele é amador, ele está mais descobrindo onde ele se encaixa. Ele está desenvolvendo as habilidades, está olhando para que caminho que vai seguir. E o profissional é quando ele acredita que já consegue viver disso e isso passa a ser a primeira prioridade dele”, conclui.

Em complemento, Kleber reforça que a diferença central está no grau de teste e comprovação do operacional. Enquanto o iniciante ainda está experimentando técnicas, tempos gráficos e tamanhos de posição, o profissional já passou por esse funil e validou, ao longo dos anos, um modelo que resiste às oscilações do mercado.

Além disso, ele ressalta que tempo de tela e vivência prática são fatores inevitáveis nesse processo, o que afasta qualquer ilusão de atalho. “A diferença é que o profissional, ele já está habilitado, já está testado e o amador está testando, literalmente. Tá naquela fase de teste, muitas das vezes o amador tem outra profissão, ele tem até um tempo. E é isso, e a técnica, né? E tempo de tela, tempo de tela, essa é a diferença”, observa.

Gerenciamento de risco acima da técnica

Quando o assunto são os iniciantes que “pulam de galho em galho” em busca da técnica perfeita, no day tarde, a resposta de Kleber é direta e, ao mesmo tempo, contraintuitiva para quem só olha o lado operacional.

De acordo com ele, antes de discutir setups, indicadores ou leitura de fluxo, o trader precisa dominar a gestão de risco. Na prática, só assim, mesmo errando a mão na entrada, será possível sobreviver tempo suficiente para evoluir. “Gerenciamento de risco. Se ele tem um gerenciamento de risco afiado. Qualquer técnica, ele pode comprar na hora que é para vender e vender na hora que é para comprar que ele vai evoluir”, orienta.

Na mesma linha, JP Costa explica que o grande choque para o iniciante está na percepção de tempo e de proporção. Em outras palavras, muitos rejeitam ganhos pequenos em percentual porque estão focados apenas no valor nominal, o que os afasta de uma construção consistente de capital.

“Quando você conversa sobre isso com um trader iniciante, parece algo que vai deixar ele muito distante do objetivo dele. Você vai ganhar pouco dinheiro, mas percentualmente em relação ao seu capital investido é relevante. Mil reais investido, se eu ganhar R$10,00 é pouco, mas é 1% do capital que ele colocou. Então 1% por dia, numa operação É relevante,” explica.

Além disso, ele compara a jornada do trader à de outras profissões de alta exigência, como medicina, engenharia e direito, ressaltando que o mercado não perdoa a pressa. “Quando as pessoas olham para o trader, mercado financeiro, elas pensam em ganhar dinheiro rápido. Elas não pensam que é algo a longo prazo. Eles precisam entender que um médico, estudou 10 anos para ter um bom salário. Um engenheiro, fez 5 anos de faculdade pra ter um bom trabalho”, reforça.

Emoção, dia de fúria e pregão viva voz

Apesar da experiência acumulada, os dois admitem que o emocional continua sendo um desafio diário, especialmente para quem viveu a intensidade do pregão viva voz. Segundo JP Costa, essa origem marcou profundamente a forma de se relacionar com risco e volatilidade, o que torna mais difícil alcançar o distanciamento frio muitas vezes sugerido em livros e cursos.

Ainda assim, ele reconhece que o ideal seria deixar as emoções em segundo plano, embora isso não aconteça na prática. “Isso é o ideal. Mas a gente veio do pregão do Viva-voz. A gente viveu muito aquela adrenalina, que talvez um cara que já tenha começado no eletrônico, sóó olhando para a tela consiga ser um pouco mais frio”, admite.

Kleber, por sua vez, aborda o tema do “dia de fúria” com franqueza e realismo. De acordo com ele, mesmo traders profissionais e veteranos de mercado estão sujeitos a sessões em que nada encaixa, a leitura falha e a irritação toma conta.

O ponto-chave, porém, está em não carregar esse peso para o dia seguinte e em compreender que esses episódios fazem parte da jornada, desde que o gerenciamento de risco esteja afiado. “Na minha sorte, eu fico muito puto em um dia de fúria, mas no outro dia parece que ressecou, não carrego. Esse eu acho que é o meu método, mas eu tenho muitos dias de fúria e o emocional, naquele dia de fúria, naquela hora eu fico puto. E é isso”, relata.

Stops, ferramentas e disciplina diária

Além do emocional, a disciplina em respeitar o stop diário aparece como outro ponto sensível na rotina de ambos. Frequentemente, o mercado oferece a sensação de que “ainda dá para recuperar”, o que estimula tentativas adicionais justamente nos dias em que nada funciona. Nesse cenário, ferramentas de controle se tornam aliadas importantes, embora, na prática, a tentação de alongar o limite ainda apareça.

Por isso, Kleber descreve, com transparência, como tenta equilibrar esses impulsos utilizando o Copilot da XP para gerenciar seu stop. “A gente é ser humano. ‘Pô, vou tentar mais uma, atingi os 20%, bota mais 10%, aí eu paro. Eu sou assim. O Copilot da própria XP, eu achei uma baita de uma ferramenta. Bateu o meu stop, eu respiro, vou tomar uma água, voltou bateu de novo, aí eu paro,” detalha.

Já JP Costa admite que, em alguns dias, o stop pensado para a sessão é atingido muito cedo, o que o leva a reavaliar as condições de mercado antes de decidir se continua ou não. Segundo ele, essa flexibilidade só faz sentido quando ainda há liquidez, agenda econômica e boa movimentação de preços.

Em contrapartida, quando o stop é alcançado em um momento mais “morno” do pregão, a melhor decisão é encerrar a participação e preservar o capital – e a cabeça – para o dia seguinte.

“Eu vou te falar, às vezes o meu stop, o que eu imagino ser o meu stop diário, bate muito cedo. Se eu acho que tem mercado ainda para recuperar eu aumento um pouco mais e estico um pouco mais no meu stop. Mas se bater esse meu stop mais tarde, tipo meio dia pra frente, uma hora que o mercado já está meio morno, aí eu respeito e não estico mais”, explica.

Como buscar consistência no day trade

Para JP Costa, o primeiro passo é se encontrar dentro do mercado, testando abordagens diferentes até identificar o que faz sentido para o próprio perfil.

Além disso, ele ressalta que essa fase de experimentação precisa ocorrer enquanto o trader ainda tem outra fonte de renda, justamente para não transformar a busca por um método em questão de sobrevivência. “É se encontrar enquanto ele é amador, achar o que serve para ele. Testa fluxo, testa gráfico, vai testando. Porque às vezes você consegue compilar dois métodos diferentes e ser melhor ainda”, conclui.

Por fim, Kleber reforça que, mais do que depender apenas de simuladores, o trader precisa sentir o impacto real das operações – ainda que com tamanho de posição mínimo.

Segundo ele, operar pequeno, respeitar o gerenciamento de risco e aproveitar o enorme volume de conteúdos gratuitos disponíveis hoje são pilares fundamentais para atravessar a curva de aprendizado no day tarde sem quebrar.

A condição indispensável, entretanto, é não desistir no meio do caminho, mesmo diante de dias ruins e fases de dúvida. “Ele tem que testar, eu ia falar que tem o simulador, mas eu acho que não, ele tem que ir com um lote mínimo mesmo, na conta real para sentir e volto a falar gerenciamento de risco, teste, e é isso tem muito conteúdo online aí de graça. Dá para consumir tudo isso aí. E não desista”, orienta.

Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice

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Nesse contexto, durante o evento Profit Summit, os traders profissionais JP Costa e Kleber Santos concederam entrevista ao InfoMoney e detalharam como foi a transição do “corre” do pregão para a tela do home broker, as diferenças entre o trader amador e o profissional e a importância de respeitar o próprio tempo de evolução no mercado.

A partir dessa vivência, eles reforçam que consistência não nasce da técnica perfeita, mas da união entre método, gestão de risco e autoconhecimento.

Diferenças entre trader profissional e amador

JP Costa destaca que a distinção entre amador e profissional não está apenas no resultado financeiro, mas no estágio de desenvolvimento do próprio trader. Para ele, o amador ainda busca entender onde se encaixa, enquanto o profissional já transformou o mercado em prioridade de vida. “O amador é só o cara que está começando, ou que talvez tenha alguma outra carreira, alguma outra fonte de renda, e o trade, é a segunda fonte dele”, afirma.

Nesse sentido, o processo envolve testar caminhos, reconhecer limitações e assumir o compromisso de viver do trade. “Quando ele é amador, ele está mais descobrindo onde ele se encaixa. Ele está desenvolvendo as habilidades, está olhando para que caminho que vai seguir. E o profissional é quando ele acredita que já consegue viver disso e isso passa a ser a primeira prioridade dele”, conclui.

Em complemento, Kleber reforça que a diferença central está no grau de teste e comprovação do operacional. Enquanto o iniciante ainda está experimentando técnicas, tempos gráficos e tamanhos de posição, o profissional já passou por esse funil e validou, ao longo dos anos, um modelo que resiste às oscilações do mercado.

Além disso, ele ressalta que tempo de tela e vivência prática são fatores inevitáveis nesse processo, o que afasta qualquer ilusão de atalho. “A diferença é que o profissional, ele já está habilitado, já está testado e o amador está testando, literalmente. Tá naquela fase de teste, muitas das vezes o amador tem outra profissão, ele tem até um tempo. E é isso, e a técnica, né? E tempo de tela, tempo de tela, essa é a diferença”, observa.

Gerenciamento de risco acima da técnica

Quando o assunto são os iniciantes que “pulam de galho em galho” em busca da técnica perfeita, no day tarde, a resposta de Kleber é direta e, ao mesmo tempo, contraintuitiva para quem só olha o lado operacional.

De acordo com ele, antes de discutir setups, indicadores ou leitura de fluxo, o trader precisa dominar a gestão de risco. Na prática, só assim, mesmo errando a mão na entrada, será possível sobreviver tempo suficiente para evoluir. “Gerenciamento de risco. Se ele tem um gerenciamento de risco afiado. Qualquer técnica, ele pode comprar na hora que é para vender e vender na hora que é para comprar que ele vai evoluir”, orienta.

Na mesma linha, JP Costa explica que o grande choque para o iniciante está na percepção de tempo e de proporção. Em outras palavras, muitos rejeitam ganhos pequenos em percentual porque estão focados apenas no valor nominal, o que os afasta de uma construção consistente de capital.

“Quando você conversa sobre isso com um trader iniciante, parece algo que vai deixar ele muito distante do objetivo dele. Você vai ganhar pouco dinheiro, mas percentualmente em relação ao seu capital investido é relevante. Mil reais investido, se eu ganhar R$10,00 é pouco, mas é 1% do capital que ele colocou. Então 1% por dia, numa operação É relevante,” explica.

Além disso, ele compara a jornada do trader à de outras profissões de alta exigência, como medicina, engenharia e direito, ressaltando que o mercado não perdoa a pressa. “Quando as pessoas olham para o trader, mercado financeiro, elas pensam em ganhar dinheiro rápido. Elas não pensam que é algo a longo prazo. Eles precisam entender que um médico, estudou 10 anos para ter um bom salário. Um engenheiro, fez 5 anos de faculdade pra ter um bom trabalho”, reforça.

Emoção, dia de fúria e pregão viva voz

Apesar da experiência acumulada, os dois admitem que o emocional continua sendo um desafio diário, especialmente para quem viveu a intensidade do pregão viva voz. Segundo JP Costa, essa origem marcou profundamente a forma de se relacionar com risco e volatilidade, o que torna mais difícil alcançar o distanciamento frio muitas vezes sugerido em livros e cursos.

Ainda assim, ele reconhece que o ideal seria deixar as emoções em segundo plano, embora isso não aconteça na prática. “Isso é o ideal. Mas a gente veio do pregão do Viva-voz. A gente viveu muito aquela adrenalina, que talvez um cara que já tenha começado no eletrônico, sóó olhando para a tela consiga ser um pouco mais frio”, admite.

Kleber, por sua vez, aborda o tema do “dia de fúria” com franqueza e realismo. De acordo com ele, mesmo traders profissionais e veteranos de mercado estão sujeitos a sessões em que nada encaixa, a leitura falha e a irritação toma conta.

O ponto-chave, porém, está em não carregar esse peso para o dia seguinte e em compreender que esses episódios fazem parte da jornada, desde que o gerenciamento de risco esteja afiado. “Na minha sorte, eu fico muito puto em um dia de fúria, mas no outro dia parece que ressecou, não carrego. Esse eu acho que é o meu método, mas eu tenho muitos dias de fúria e o emocional, naquele dia de fúria, naquela hora eu fico puto. E é isso”, relata.

Stops, ferramentas e disciplina diária

Além do emocional, a disciplina em respeitar o stop diário aparece como outro ponto sensível na rotina de ambos. Frequentemente, o mercado oferece a sensação de que “ainda dá para recuperar”, o que estimula tentativas adicionais justamente nos dias em que nada funciona. Nesse cenário, ferramentas de controle se tornam aliadas importantes, embora, na prática, a tentação de alongar o limite ainda apareça.

Por isso, Kleber descreve, com transparência, como tenta equilibrar esses impulsos utilizando o Copilot da XP para gerenciar seu stop. “A gente é ser humano. ‘Pô, vou tentar mais uma, atingi os 20%, bota mais 10%, aí eu paro. Eu sou assim. O Copilot da própria XP, eu achei uma baita de uma ferramenta. Bateu o meu stop, eu respiro, vou tomar uma água, voltou bateu de novo, aí eu paro,” detalha.

Já JP Costa admite que, em alguns dias, o stop pensado para a sessão é atingido muito cedo, o que o leva a reavaliar as condições de mercado antes de decidir se continua ou não. Segundo ele, essa flexibilidade só faz sentido quando ainda há liquidez, agenda econômica e boa movimentação de preços.

Em contrapartida, quando o stop é alcançado em um momento mais “morno” do pregão, a melhor decisão é encerrar a participação e preservar o capital – e a cabeça – para o dia seguinte.

“Eu vou te falar, às vezes o meu stop, o que eu imagino ser o meu stop diário, bate muito cedo. Se eu acho que tem mercado ainda para recuperar eu aumento um pouco mais e estico um pouco mais no meu stop. Mas se bater esse meu stop mais tarde, tipo meio dia pra frente, uma hora que o mercado já está meio morno, aí eu respeito e não estico mais”, explica.

Como buscar consistência no day trade

Para JP Costa, o primeiro passo é se encontrar dentro do mercado, testando abordagens diferentes até identificar o que faz sentido para o próprio perfil.

Além disso, ele ressalta que essa fase de experimentação precisa ocorrer enquanto o trader ainda tem outra fonte de renda, justamente para não transformar a busca por um método em questão de sobrevivência. “É se encontrar enquanto ele é amador, achar o que serve para ele. Testa fluxo, testa gráfico, vai testando. Porque às vezes você consegue compilar dois métodos diferentes e ser melhor ainda”, conclui.

Por fim, Kleber reforça que, mais do que depender apenas de simuladores, o trader precisa sentir o impacto real das operações – ainda que com tamanho de posição mínimo.

Segundo ele, operar pequeno, respeitar o gerenciamento de risco e aproveitar o enorme volume de conteúdos gratuitos disponíveis hoje são pilares fundamentais para atravessar a curva de aprendizado no day tarde sem quebrar.

A condição indispensável, entretanto, é não desistir no meio do caminho, mesmo diante de dias ruins e fases de dúvida. “Ele tem que testar, eu ia falar que tem o simulador, mas eu acho que não, ele tem que ir com um lote mínimo mesmo, na conta real para sentir e volto a falar gerenciamento de risco, teste, e é isso tem muito conteúdo online aí de graça. Dá para consumir tudo isso aí. E não desista”, orienta.

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